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11/04/2015

Desemprego no país sobe para 7,4% no trimestre, maior taxa desde 2013

por PEDRO SOARES


Com a dispensa acelerada de trabalhadores, a taxa média de desemprego do país no trimestre encerrado em fevereiro ficou em 7,4%. O resultado é o maior desde o trimestre de março a maio de 2013 (7,6%).

Desde o período de maio a junho do ano passado, a tendência era ou de estabilidade ou recuo da taxa de desemprego, interrompida na taxa trimestral encerrada em janeiro (veja quadro abaixo) diante do cenário econômico menos favorável, com juros mais alto, crédito restrito, consumo em desaceleração e sobretudo menor confiança de empresários.

O número de pessoas sem emprego, por sua vez, subiu em 950 mil no trimestre até fevereiro, com uma alta de 14,7% em relação ao dos três meses findos em novembro –base de comparação indicada pelo IBGE.

Os dados são da Pnad Contínua, pesquisa sobre mercado de trabalho em âmbito nacional, e foram divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (9). Os cálculos seguem a nova metodologia, em que os resultados trimestrais são atualizados e apresentados mensalmente. Ou seja, a cada mês, são divulgados números referentes a aquele mês junto com os dois meses imediatamente anteriores.

Para uma leitura mais precisa dos dados, o IBGE recomenda a comparação dos números do trimestre corrente com os do mesmo período de ano anterior ou com aquele encerrado antes do início desse período.

Assim, os números dos três meses até fevereiro (dezembro, janeiro e fevereiro) devem ser comparados com os do trimestre terminado em novembro (setembro, outubro e novembro). O motivo é evitar a comparação com meses repetidos, o que poderia prejudicar a análise.

CENÁRIO

Uma combinação de maior procura por trabalho sem criação de novos postos para absorver o ingresso de mais pessoas no mercado de trabalho resultou no aumento do contingente de desocupados e no aumento da taxa de desemprego, segundo o IBGE.

No trimestre encerrado em fevereiro, o número de empregados somou 92,3 milhões, com redução de 0,4% em relação ao período de três meses findos em novembro. Foram cortadas 401 mil vagas no país em relação ao trimestre fechado em novembro, reflexo do ambiente econômico adverso com redução de investimentos, consumo e gastos do governo.

Já na comparação com o mesmo trimestre de 2013, houve expansão de 0,9% –abaixo, porém, do crescimento vegetativo da população em idade para trabalhar (14 anos ou mais). Ou seja, há um potencial maior de entrada de pessoas no mercado de trabalho do que o número de vagas geradas.

O contingente de desempregados, por seu turno, subiu de 6,5 milhões no trimestre até novembro para 7,4 milhões no período fechado em fevereiro, o que corresponde a um acréscimo de 950 mil pessoas sem trabalho -ou uma alta de 14,7% em relação ao período de outubro, novembro e dezembro.

Os dados do IBGE revelam que cresceu a procura por trabalho (algo comum em tempos de crise), sem a contrapartida da geração de vagas. Desse modo, mais pessoas ficaram sem uma ocupação e a taxa de desemprego avançou.

Um sinal da maior procura é o ingresso de 550 mil pessoas na força de trabalho, grupo que soma os empregados e os desocupados em busca de uma colocação. O indicador teve alta de 0,6% no trimestre findo em fevereiro frente ao período de três meses encerrado em novembro.

"A taxa de desemprego vem em um crescente e mudou sua tendência desde janeiro [taxa de três meses encerrados naquele mês]. De um lado, há mais gente à procura de trabalho. De outro, não foram criados empregos suficientes [na comparação com 2014] para cobrir essa maior procura", disse Cimar Azeredo Pereira, coordenador do IBGE.

Pereira afirmou, porém, que parte do aumento da taxa de desemprego entre os períodos fechados em novembro e fevereiro é explicado por um fator sazonal: a dispensa de trabalhadores temporários em janeiro e fevereiro, após as contratações de final de ano. Esse fenômeno é típico no início de cada ano.

RENDIMENTO

Pelos dados do IBGE, o rendimento médio dos trabalhadores do país ficou em R$ 1.817 nos três meses findos em fevereiro, com alta de 1,3% em relação ao período encerrado em novembro. Na comparação com o período terminado em fevereiro de 2014, houve alta de 1,9%.

Segundo o coordenador do IBGE, a renda já vinha em processo de desaceleração nos últimos meses.

Para Pereira, duas hipóteses, porém, podem explicar o fato de o rendimento se manter ainda em alta em tempos de mercado de trabalho menos dinâmico e inflação elevada: a saída de empregados temporários com salários menores do que efetivos e dispensa de trabalhadores com baixo rendimento (o que costuma acontecer em épocas de crise). Com isso, a renda segue em alta em razão da manutenção de empregados com remunerações melhores –o que faz subir a média.

PNAD SUBSTITUIRÁ PME

A Pnad Contínua é mais abrangente pesquisa de emprego do IBGE. Enquanto a PME (Pequisa Mensal de Emprego) investiga as seis principais regiões metropolitanas, a amostra da Pnad Contínua coleta dados em todo o país.

A nova pesquisa irá substituir a atual PME, que só deve ir a campo até dezembro. O levantamento está, porém, ainda incompleto do ponto de visto de indicadores a serem divulgados: somente ao longo deste primeiro semestre é que serão apresentadas informações por setores e sobre formalização.

Os dados mostram que a taxa de desemprego em nível nacional se situa sempre acima daquela das metrópoles, cuja economia é mais dinâmica e mais baseada no setor de serviços -que sustentou o emprego e o PIB nos últimos anos. Pela PME, a taxa de desemprego ficou em 5,9% em fevereiro, em alta pelo segundo mês seguido.

Fonte: Folha Online - 09/04/2015

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